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Foi uma escolha pelo coração, diz Tatiana Weston-Webb sobre defender o Brasil

O sotaque carregado e a dificuldade em pronunciar algumas palavras em português deixam claro que Tatiana Weston-Webb passou a maior parte dos seus 23 anos longe do Brasil. Na verdade, ela praticamente não viveu por aqui. A surfista deixou Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, aos dois meses de idade e se mudou para a ilha de Kauai, no Havaí, sua residência até hoje.

“Minha mãe queria dupla nacionalidade. Morei toda a minha vida no Havaí”, explicou a atleta em entrevista ao Olimpitacos durante evento da TCL, um dos seus patrocinadores. Ela é filha da ex-bodyboarder gaúcha Tanira Guimarães e do surfista inglês Doug Weston-Webb, criado e radicado nos Estados Unidos.

Apesar de ter dupla nacionalidade, Tati diz que não teve dificuldade em escolher representar o Brasil. “Foi bem fácil, eu nasci aqui, todas as pessoas importantes na minha vida são brasileiras. Me sinto muito mais brasileira. Foi uma escolha pelo coração, estou orgulhosa por representar o Brasil.”

Além da família, a gaúcha namora o também surfista Jesse Mendes há cinco anos, e ainda conta com treinador e fisioterapeuta brasileiros. Tudo isso fez com que ela aprimorasse o português, idioma necessário para conseguir conversar com os sogros.

“Eu só comecei a falar frases inteiras há dois anos. Minha mãe queria falar com a gente em português, mas meu pai nunca aprendeu. Minha mãe falava em português com a minha tia, que morava com a gente, e eu ficava ouvindo, venho todo ano para o Brasil e fui evoluindo. Depois, eu comecei a namorar o Jesse, os pais dele não falam muito inglês, então tive que aprender um pouco mais de português. Estou melhorando cada dia mais. Tenho alguns erros, mas está tudo certo”, comemorou.

Enquanto aprimora o português, a surfista tenta terminar entre as oito primeiras colocadas do ranking da WSL (Liga Mundial de Surfe, em português) para garantir vaga para os Jogos Olímpicos de Tóquio, no ano que vem.

O ranking de 2019 será o primeiro critério de classificação. Entre as mulheres, as oitos mais bem colocadas, com limite de duas atletas por país, terão vaga assegurada para a Olimpíada no Japão. Atualmente, a brasileira está na 7ª colocação. Caso deixe o top 8, ela vai poder tentar um lugar em Tóquio por meio do ISA World Surfing Games em 2019 e 2020.

“Na verdade, eu não tenho uma expectativa muito grande, mas conto que eu vou estar lá, esse é o meu objetivo. Neste momento, eu estou me classificando. Acredito que o Brasil vai ter duas representantes. Sou a minha principal rival, preciso terminar bem no ranking”, analisou. Silvana Lima (14ª) e Taina Hinckel (20ª) são as outras brasileiras no circuito.

Gisèle de Oliveira

Gisèle de Oliveira

Jornalista apaixonada por esportes desde sempre, foi correspondente internacional do “Diário Lance!” na Austrália, quando cobriu os preparativos para os Jogos Olímpicos de Sydney-2000, e editora do jornal no Rio de Janeiro, trabalhou na “Gazeta Esportiva” e foi colaboradora de especiais da revista “Placar”, entre outras experiências fora do universo esportivo. Mineira de nascimento, paulistana de coração, é torcedora inabalável de Rafael Nadal, Michael Phelps, Messi e Rafaela Silva. Adora tênis, natação, judô, vôlei, hipismo e curling (sim, é verdade). Sagitariana e são-paulina teimosa, agradece por ter visto a Seleção de futebol de 82 de Telê, o São Paulo também do mestre Telê, o Barcelona de Guardiola e a Seleção de vôlei de Bernardinho em seu auge. Ah, chora em conquistas esportivas, e não apenas de brasileiros.

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