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Rafaela Silva e o nosso preconceito de cada dia

Vivemos tempos sombrios, e a cada dia isso é esfregado em nossas caras, tornando uma tarefa difícil conseguir manter a fé no ser humano. De origem pobre e acostumada às batalhas da vida, Rafaela Silva, campeã olímpica no Rio-2016 e mundial dos pesos-leve (-57kg), teve um reencontro com essa dura realidade nesta quinta-feira, dia 22.

Rafaela chegava de viagem ao Rio de Janeiro, cidade onde mora e que passa por uma intervenção militar que tem como justificativa a crise na segurança. A bordo de um táxi a caminho de casa, a judoca viu o veículo ser seguido e parado pela polícia sem nenhum motivo aparente. Ela então foi às redes sociais narrar a abordagem. Taxista levado para um lado, ela para outro, perguntas de praxe – o que faz, de onde vem, para onde vai –, até que o policial a reconhece e libera os dois. O mais impressionante, no entanto, acontece quando ela volta para o carro e o motorista começa a contar o que foi dito a ele. Para o oficial, ele confirmou que buscara Rafa no aeroporto e que a estava levando para Jacarepaguá, ao que ouviu como resposta: “Achei que tinha pego (sic) na favela”.

Tal diálogo levanta algumas questões pertinentes à nossa sociedade. Se fosse uma mulher branca no carro, o táxi teria sido parado? Os policiais teriam achado que ele vinha da favela? Mais importante ainda, qual o problema se estivesse vindo da favela? O espanto, e porque não dizer a revolta, aumenta ainda mais ao ler comentários nos posts da atleta que tentam minimizar e simplificar a situação. Rafa é campeã de seu esporte, conhecida, tem voz e pode ser ouvida, e mesmo assim está sujeita ao preconceito cotidiano. Já parou para pensar como é para milhares de anônimos que enfrentam esse mesmo cenário diariamente? Como a própria atleta perguntou, até onde vai esse preconceito?

Veja abaixo os tuítes de Rafaela Silva sobre o ocorrido:

Gisèle de Oliveira

Gisèle de Oliveira

Jornalista apaixonada por esportes desde sempre, foi correspondente internacional do “Diário Lance!” na Austrália, quando cobriu os preparativos para os Jogos Olímpicos de Sydney-2000, e editora do jornal no Rio de Janeiro, trabalhou na “Gazeta Esportiva” e foi colaboradora de especiais da revista “Placar”, entre outras experiências fora do universo esportivo. Mineira de nascimento, paulistana de coração, é torcedora inabalável de Rafael Nadal, Michael Phelps, Messi e Rafaela Silva. Adora tênis, natação, judô, vôlei, hipismo e curling (sim, é verdade). Sagitariana e são-paulina teimosa, agradece por ter visto a Seleção de futebol de 82 de Telê, o São Paulo também do mestre Telê, o Barcelona de Guardiola e a Seleção de vôlei de Bernardinho em seu auge. Ah, chora em conquistas esportivas, e não apenas de brasileiros.

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