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Rafaela Silva é flagrada no antidoping, ‘culpa’ bebê e diz que dá cara a tapa

A notícia do doping de Rafaela Silva caiu como uma bomba sobre o universo esportivo. A campeã olímpica, Pan-Americana e mundial foi flagrada em um exame realizado no dia 9 de agosto durante o Pan de Lima. A judoca de 27 anos testou positivo para a substância fenoterol, que tem efeito broncodilatador e costuma ser utilizada em tratamento de doenças respiratórias, como a asma.

Em entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira, Rafaela Silva se defendeu, afirmou que é inocente e que a contaminação aconteceu no dia 4 de agosto durante o contato com um bebê, filho de uma amiga que também treina no Instituto Reação, no Rio de Janeiro.

“Dei positivo para a substância fenoterol. Estou aqui para falar. Não tomo remédio, não tomo bebida alcoólica, só tomo gel de carboidrato quando passa nos intervalos da luta. Não pego garrafinha de ninguém. Sempre tive muito cuidado. Estou na mira, no alvo do grupo da Wada desde 2009 e 2010. Sempre fiz meus testes, sempre cumpri a programação”, declarou.

“Sempre tive muito cuidado por ser atleta, por não querer passar por um momento como esse. Mas nunca imaginaria que pegaria uma criança de seis meses no colo que faz uso dessa substância e numa brincadeira, num ato de sempre ter esse costume de brincar com meu sobrinho, minha sobrinha, que hoje tem 14 anos, eu sempre dou meu nariz para as crianças brincarem chupando como se fosse uma mamadeira. E uma dessas crianças que eu brinquei fez uso dessa substância e pode ser como entrou no meu corpo. Estou aqui para dar minha cara a tapa”, completou.

O advogado Bichara Neto será o responsável pela defesa da judoca. Segundo ele, a substância encontrada é passível de uma suspensão de dois anos, mas que acredita que Rafaela Silva não deve ser punida já que não houve culpa.

“Tivemos uma reunião no âmbito dos Jogos Pan-Americanos. A Rafaela não está suspensa preventivamente. Vamos sustentar que ela não deve ser porque ela tem uma versão que mostra que ela não usou a substância para obter vantagem indevida, nem com culpa. No momento, o único processo iniciado foi perante ao âmbito pan-americano. Depois, uma instrução mais longa será fundamentada quando esse processo for iniciado”, explicou.

Crédito da foto: Roberto Castro/rededoesporte.gov.br

A campeã olímpica negou que utilize a bombinha: “Não faço uso dessa substância, não tenho asma, não tenho nada, nem tenho autorização para usar essa substância. Antes do Pan minha competição foi o Grand Slam de Budapeste. Eu fiquei vendo meus dias todos, pensando o que podia ter acontecido. E a única pessoa que fez uso dessa substância foi a Lara, filha de uma amiga minha que treina no Instituto Reação. Eu tenho essa mania de dar o nariz para o neném chupar. Como Cameron me explicou um pouco, conforme ela vai chupando meu nariz, eu inalo o que ela manda para meu corpo. Pode ter sido uma das maneiras”.

Após os Jogos Pan-Americanos de Lima, Rafaela foi bronze no Mundial da modalidade, disputado no Japão. O exame realizado no dia 29 de agosto não detectou nenhuma substância irregular.

Como não está suspensa preventivamente, a judoca garante que vai continuar com o seu calendário. Neste fim de semana, ela disputa o Grand Prix Nacional pelo Instituto Reação. “Ainda tenho algumas competições, não estou suspensa. No meu planejamento tenho o Grand Slam de Brasília, o Mundial Militar, depois o Grand Slam do Japão, e por fim o World Masters. A princípio, são essas minhas competições. Valem a classificação, que só fecha em maio do ano que vem. Todas são muito importantes. Como não estou suspensa, vou manter a cabeça nos treinos e nas competições. Com certeza (fico mais tranquila). O World Masters vale bastante ponto para o ranking mundial. Poder competir e treinar não vai me atrapalhar. Mas também não adianta treinar, competir e não comprovar minha inocência lá na frente. O mais importante é isso”.

Gisèle de Oliveira

Gisèle de Oliveira

Jornalista apaixonada por esportes desde sempre, foi correspondente internacional do “Diário Lance!” na Austrália, quando cobriu os preparativos para os Jogos Olímpicos de Sydney-2000, e editora do jornal no Rio de Janeiro, trabalhou na “Gazeta Esportiva” e foi colaboradora de especiais da revista “Placar”, entre outras experiências fora do universo esportivo. Mineira de nascimento, paulistana de coração, é torcedora inabalável de Rafael Nadal, Michael Phelps, Messi e Rafaela Silva. Adora tênis, natação, judô, vôlei, hipismo e curling (sim, é verdade). Sagitariana e são-paulina teimosa, agradece por ter visto a Seleção de futebol de 82 de Telê, o São Paulo também do mestre Telê, o Barcelona de Guardiola e a Seleção de vôlei de Bernardinho em seu auge. Ah, chora em conquistas esportivas, e não apenas de brasileiros.

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